Não apague a luz, quero olhar-te todo


Passo as mãos pelo meu rosto... Passo porque sei que preciso escrever... porque sei que eu quero escrever sobre um rapaz que entra na minha vida de mansinho. mas o que dizer? o que falar ante o meu sorriso abobalhado, ante meu coração se abrindo? Esse rapaz que tem cheiro de gato com manha, que tem uma musicalidade na fala que parece canção de ninar. Quem é ele? que me chega manso, que me pega com mãos de macho... e depois com brilho no olhar afaga minha face como pai e filho... Suas mãos se confundem entre a masculinidade e a infantilidade do ser. Eu não sei aonde iremos ou não. Mas a verdade é que eu quero como sempre quis o que vem...

Estou pronto para te amar, para sentir desejo, para sentir ciúmes, para te apertar, para contigo gozar. Essa noite, que houvera entre nós, ela me diz tanta coisa, ela consegue levar sua essência inclassificável, mas de um conteúdo bom, no mais estranho espaço de mim mesmo. Tudo não é como antes, isto aqui não tem fúria. Antes havia fúria, havia expectativas... agora corre na mansidão de um rio que não tem pressa para desaguar. Será que eu envelheci? será que o que sinto agora é menos do que eu sentia antes? Não, não se trata disso, trata-se de um amadurecido explícito. Amar é isso, é esse afago lento, sem o fogo das paixões, mas com as brasas do sexo. Por qanto tempo nos teremos nesse apego, nessa cordialidade de nos falarmos todos os dias? Esse rapaz me faz o reflexo do que estou agora, gozado e em paz. Há uma sensação que ele é meu porque eu me snto dele. E eu posso amá-lo porque o meu amor próprio me permite isso agora. A minha tentativa é pintar, pintar teus olhos, teu sorriso, pintar o detalhe de teus lábios quando eles se manifestam para dizer alguma coisa sobre mim. Se um momento ou outro eu tentar com mãos imprecisas detalhar-te inteiro não vai estranhar, foi o jeito mais apropriado que eu encontrei para te perpetuar em mim. Não apague a luz, quero olhar-te todo. Quero que meus olhos rastreiem tuas pernas, tua bunda, teus cabelos, teu tórax.

"Vem cá, m abraça e deixa que nos sentimos inteiros à medida de tua voz a me chamar coelhinho."

Deixa murmurar, deixa a noite adormecer nós dois enluarados. vem, minha delícia de macho. Eu te recebo em nome da ternura e do que será depois.

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