Sobrevivi, posso contar.”
O pai dele tinha um depósito de algoodão, e nós estávamos lá. Nossos corpos lutavam, nossos olhos se devoravam. Ninguém disse uma palavra. A tarde era quente e logo nossos corpos suaram. Alguns momentos, ele cerrava os dentes tentando me vencer. Eu poderia definir aquela jogo de corpos como uma luta viçosa. Havia a possibilidade de estarmos agarrados por outro motivo. Sentir o peito daquela pessoa de quem se gosta é fato que não se narra para não empobrecer a magia. Isto foi a felicidade, houve uma poesia a contorcer-se em nós. A nossa luta ainda se dava e ninguém vencia ninguém, só o prazer de estarmos agarrados dominava a tarde. Quando as coisas não são vividas abertamente e de uma maneira completa, mais tarde nos deixam impotentes. Em seus olhos eu li o que estava escrito no convite. Aquele olhar de brilho encandescente me chamava... me chamava... me chamava.
Os dois estavam vencidos – caidos sobre as baganas, em um quarto sem ventilação. Naquela hora de alguma forma ele foi meu. Muitos desencontros foram causados por mim. Homens que amam demais estão sempre se culpando. Depois disso nada teve graça. Tudo foi desencontro assim como a infância. Esse velocímetro esteve em uma fase de sua vida ao meu lado. Foi isso o que mais tarde eu disse para quem perguntou o que acontecera entre nós. Não fomos capazes, ou melhor, eu não fui capaz. O Themístocles foi outro colega de todos nós nessa mesma época, ele me disse que fazia sexo com as bichas velhas da cidade, e que o Titico era um deles. Todos decadentes, homossexuais afogados na própria sexualidade, rastejando o tédio de suas carnes inflamadas. Eles provavelmente nunca deram um beijo na boca nem tiveram um contato mais humano (Deus livrai-me de tal sacrifício!). sim, uma tarde, Themístocles e eu fomos ao sítio do meio, um açude distante da cidade, e no caminho nos masturbamos frente a frente. Nos olhávamos, enquanto o gozo não chegava, a distância de quatro metros aproximadamente. Esse meu amigo era um dos maiores frequentadores da casa dos deserdados: Titico, Zé Galinha e companhia.
Nesse período, o Téo namorava a Priscila que teve dúvidas em relação a sexualidade dele, e veio saber de mim, essa verdade.
- Priscila, por que perguntar isso a mim?
- Vocês estão sempre juntos, são amigos.
- O Teó está afastado. Quase não tenho conversado com ele.
- Caio, você sabe o que as pessoas comentam, não sabe?
- Priscila, sei.
- Então?
- Você gosta dele, ele é seu namorado. Não vejo porque
essa preocupação. E também eu não sei. A pessoa ideal para lhe responder é ele.
- Caio, me diga por favor.
-Eu não sei.
O Téo nunca deu abertura para que conversâssemos essas coisas. Talvez tenha dado, eu que o respeitei demais. Uma vez, ele me disse que o filho do dono da padaria foi tomar banho em sua casa e se masturbou... nada mais. Essa história todos sabiam, mas a versão contada era outra. Eu que cheguei depois acreditei nele e fui escolhido para sua vingança não planejada. Fim de ano.
- Priscila, por que perguntar isso a mim?
- Vocês estão sempre juntos, são amigos.
- O Teó está afastado. Quase não tenho conversado com ele.
- Caio, você sabe o que as pessoas comentam, não sabe?
- Priscila, sei.
- Então?
- Você gosta dele, ele é seu namorado. Não vejo porque
essa preocupação. E também eu não sei. A pessoa ideal para lhe responder é ele.
- Caio, me diga por favor.
-Eu não sei.
O Téo nunca deu abertura para que conversâssemos essas coisas. Talvez tenha dado, eu que o respeitei demais. Uma vez, ele me disse que o filho do dono da padaria foi tomar banho em sua casa e se masturbou... nada mais. Essa história todos sabiam, mas a versão contada era outra. Eu que cheguei depois acreditei nele e fui escolhido para sua vingança não planejada. Fim de ano.