O Meio Não Faz O Homossexual, Apenas O Conduz

A minha vida era um circo, e a luta interna que eu enfrentei não passou de uma lona velha que romperia a qualquer instante. Era uma questão de tempo. Meses. Dias. Quando adolescente, fui coroinha de igreja, nem isso me apagou o fogo, o tesão que eu acumulei como quem acumula dívidas e não encontra como pagar. Ok, também concordo com quem disse: - a minha vida é um pic nic. Eu já tinha resistido a todas as investidas do Márcio. Se fosse para dar um título para esse rapaz, eu escolheria: a ninfa das capoeiras. Uma noite, ele chegou lá em casa, bêbado. Pediu dormida. A mamãe desconfiando ou prevendo alguma investida, trocou o lugar dela dormir com o meu. A noite, ouvi quando ela gritou. O Márcio foi para a cama dela, pensando que fosse eu quem dormia. Ele ficou tão envergonhado que foi imediatamente embora, antes tentou explicar, mas isso não se explica. É contundente. De onde eu dormia tive uma crise de riso. A situação era realmente engraçada. Esse homem não tinha compostura, era um ser que... transava um, dois, três, cinco parceiros de uma só vez. Ele sempre esteve disponível a pessoas desprovidas de qualquer decência. Seu nome sempre estava associado a decadência. E não era para ser assim, um homem que tinha destaque na cidade, tinha boas amizades, um professor. Esse menino desandou de tal forma que... as pessoas se perdem em uma hora ou outra, mas em uma fração de segundos se encontram. Ele não, o caminho de volta estava desfeito e só restava a entrega, o corpo descartável. Quando era preciso pagava para ter o sexo de alguém. A sua vida se estava se resumindo a isso, ele se reduzia a esperma derramada em seu rabo. O casamento foi uma catástrofe, a cidade aconselhou a noiva a não se casar, mas ela estava irredutível. À beira do açude ou nas capoeiras a infidelidade predominava. O Márcio não se importava com o homem, poderia ser limpo ou sujo. Só o sexo tinha valor. Depois que o filho nasceu foi que a esposa não suportou e veio a renunciar a relação, mas até esse dia chegar foram decorridos três anos.

Na verdade, o mundo do sexo sempre me instigou a mergulhar nele. Quem é que pode explicar a emoção de uma prostituta? O viço de um homossexual desesperado? A tara de um hetero? A sexofobia de uma donzela? Isto é cultural. E deveria estar para a sociedade assim como está a experiência da droga... o vício da bebida.

, sim, enquanto o que vem de dentro faz parte de um processo humano. O meio não faz o homossexual, apenas o conduz. É claro que aquele que não tem a vivência de um cinema pornô, não sabe como ele funciona, mas nem por isso deixa de ser. Um cara que nasceu no meio do sertão e se afetara, isso se dá a quê? O processo humano ou a vivência? Dizer que ser homossexual é uma opção é simplesmente ridículo e imbecil. Não é mesmo! Concordo quando o homossexual diz que é homossexual, mas por opção resolveu viver ao lado de uma mulher maritalmente. Agora, qual é o hétero que diz que será homossexual por opção? Isso não existe. Ninguém escolhe o caminho mais difícil. Parece que só a barbárie interessa ao sistema. Esse contexto de progresso pertence a quem? Até quando nos submeteremos a essa desimportante civilização? Sempre. Uma geração é decendente de outra. E há de pagar pelo passado.