Primeira parte
O delírio anestesiado toma conta de bocas, línguas e corpos, e nada de desejo. A oferta mata o desejo e em conseqüência disso o encanto. Aqui farei dois papeis: o papel de advogado do diabo e também de advogado de Deus, ou melhor, de semi deuses pervertidos ou não. Vou falar de sexo com toda a abertura que ele traz sem máscara, sem remoção dos bacilos e vírus que irmanam nele e por ele. Como funcionam a coisa e a causa no primeiro mundo, onde as pessoas parecem mais civilizadas? E no terceiro mundo onde há uma desvalorização adquirida? Onde são o ocidente e o oriente do desorientar-se na maculação do gozo? Sim, nisto há a fenomenologia do homem. Será que o homem nasceu assim? Ou será que tornou-se ou tornaram-no assim? Ninguém ousará apontar o pecado, apenas o pecador. Percebo que a ciência e a religião não podem mais andar separadas ao falarem de sexualidade. Na igreja ainda há o que ser desvendado. As seitas não podem mais orientar-se sem o avançar da ciência e da sociologia da homossexualidade. Dentro de cada lar é preciso emergência como também o estancar do preconceito. Cem palavras não são mais capazes de alertar, mas uma apenas deixa o natural perder seu curso – “não”. E esta palavra assim como toda e qualquer escolha é dúbia. Mas há clareza iminente para o sábio de sensibilidade. A justificativa de escrever é retrocesso, é processo iniciado em uma nova iniciativa que ainda não sei digerir, é inchaço e cansaço do tudo mal e tudo certo.
Ano passado apresentei um monologo que foi fruto e resultado de pesquisas e auto critica ao mundo GLS. Esse monólogo intitulado “Amores Marginais” foi aplaudido na idealização do expositor, do achar-se perante o ser. E um seleto grupo na platéia concorda, confirma, acredita que algo precisa mudar. Amores Marginais tinha fel nas palavras e aftas em cada amor perdido. E o que se é em força e fome daquilo que se acredita? Neste punhado de informações deve haver muita espiritualidade, luz, filosofia, logosofia, ciência e humanidade. Uma delas ou todas poderão ser perdidas em nome da indiferença. A profecia deve cair por terra em cada ser capaz de chorar no vazio da busca inútil ou ainda da batalha perdida. Queres amor? Ou queres sexo? Busque tempo, mais tempo ainda para se pensar não no imediatismo, mas naquilo que ele pode representar negativamente.
Dedico este livro ao meu amor!
As crianças parecem brincar. E elas brincam inocentemente pelas calçadas, pelas ruas, pelos pátios da escola. E entre elas, um menino ou uma menina sabe que pulsa em suas veias o terror! Sabe que pulsa, mas tudo isso está longe da consciência. Elas sabem que elas não podem ser elas mesmas, elas sabem que quando a hostilidade de um adulto ou mesmo de um coleguinha de escola, é lançada sobre si, só resta a bandeira branca: baixar os olhos, tirar a vista. É assim em todo lugar do mundo. Engraçado que com o enxoval do bebê, os pais já ensaiam o preconceito. Quarto rosa para a menina, com enfeites delicados e, segundo eles, próprio para a menina. Para o menino, amarelo ou azul bebê. E se o menino pudesse optar pelo rosa e a menina pelo azul? Ainda é cedo para isto. Lá maiorzinho, o menino quer tocar, pegar, sentir uma boneca. E vem a família inteira com uma repreensão uníssona: - “Não pode. Isto é para menina”. Eles parecem estar certos. E quem os disse isto? A tradição. A menina quer descobrir a bola: - “Não pode”. Há uma reprise do dizer de novo. E quem os disse isso? A velha tradição que nunca foi ouvida na codificação do ensaio, mas que por excelência se traduziu.
Concordo, e os pais estão certos quando querem repetir a tradição. Assim, eles foram criados, mas eles precisam redescobrir os próprios valores. Não é porque foi assim que assim será eternamente. Estamos em tempo de escolha múltipla ou mútua. Vivemos um mundo cada vez mais castigador, sangrento. Um mundo de entorpecentes, sexo e vírus. E tudo isso é agregado à falta de escolha. Hoje só temos democracia, e a utilizamos da pior forma possível. A forma de utilização é zero. Está todo mundo esquecendo o mediador da vida que é o tempo. A escolha. A tentativa. O outro. O amor. O ser. Temos tarefas inumeráveis a favor de nós mesmos, e elas parecem cada vez mais minimizadas em nome do imperceptível. Estamos diante da vida, cegos, vaidosamente míopes. Enquanto os motivos de nós mesmos são expulsos de nossos ciclos de uma maneira cretina e feroz. Pensamos que estamos renunciando o fator negativo da sociedade com nossa liberdade aberta, mas na verdade estamos renunciando o nosso próprio umbigo. Quando se trata do homossexual tudo parece ser mais difícil. E aqui mais uma vez não haverá espaço para o falso glamour. Estou falando de vida, no anseio maior que é retardar a morte. Mas parece que todo mundo resolveu morrer, mas não aceita o veneno fabricado por ele mesmo. E isso passa a ser contraditório. Quem representa o que nesse teatrinho mal representado que é o solo gay? A bala não dispara mais, hoje, ela foi substituída pela fonte de sífilis, AIDS e gonorréia. Quem ousará romper com a certeza do berro na hora do ferro? Por uma postura social e humana já.
Só a felicidade individual pode reciclar a sociedade. A solidificação do hoje é espelho da felicidade, do pouco peso sobre as costas. Os pais precisam entender que não é a cor do quarto, o brinquedo certo que irá definir a sexualidade desse pequeno que vem ao mundo, muito menos o triturar do desejo quando chegar a adolescência, mas sobre isto falaremos mais tarde. As próprias instituições educacionais assim como os pais precisam reinventar um novo cordão umbilical e não amar o próprio umbigo. Ensinar valores não é ensinar a reza, a crença. E sim a importância de cada coisa. Há coisas que não foram e nem serão aprendidas numa sala de aula. Não há universidade que desqualifique isto. Há grandes falhas a serem corrigidas e isto parece fundamental. Nas escolas falta sim, a disciplina sexual, o saber do mestre sobre o isto onde o preconceito possa vir a ceder para a realidade e o valor sexual a ser integrador junto do valor humano. Vale ainda destacar as tarefas de casa onde muitas vezes os pais junto com os filhos precisam fazer algum tipo de pesquisa. Pega-se como exemplo uma colagem no caderno da criança. E os pais procurando figuras junto com os filhos dizem: - “Não, essa é feia”. Mas uma vez o preconceito se instala e é implantado na criança. É preciso estudar valores, rever conceitos para que o bem desnecessário seja interditado. Um preconceito é irmanado em todo preconceito. Quando acima é citado as instituições educacionais é porque é visto nas secretarias, nos intervalos, educadores a se perfumarem de seus mesquinhos ponto de vista e de interesse. Um educador pode ensinar português, matemática, seja o que for, mas o seu papel seria educar, é fazer com que o maior numero de alunos pudessem se transformar em mensageiros de uma nova civilização.
Estamos aqui para falar da criança e defendê-la de qualquer violência psicológica e sexual também. Para que ela não se torne o adulto que hoje se reinventa no manifesto da promiscuidade. O que são dessas criaturas dentro de um lar hostil, onde a força e a voz alta imperam em nome do medo? A criança vai se reprimir. E toda repressão tem um momento em que vem a tona e explode em nome da revolta. Medo causa revolta, e o purgatório pode ser paraíso. Lá fora não há culpa explicita. São necessários sob a visão da problemática poetizando a metáfora: o nascer, o pinto, a casca do ovo, a fragilidade, e principalmente a galinha a não ver o sexo do pintinho. Ela sabe e compreende que precisa proteger. Sexualidade não se cria, apenas se educa ou se reeduca, ou seja, se pratica. E não tem como mudar o curso natural das coisas. O menino(a) não foge da sua condição. E os pais esbravejam em nome da vaidade e da vergonha que é transitável na satisfação a ser dada socialmente. O filho e a filha podem ser homossexuais? Não podem ser. São. Quando há dúvida e preocupação é porque eles, os pais, sabem. Não há dúvida impunemente. Os pais, pobres coitados, preferem passar a régua na cabeça do vizinho falador do que água o fruto deles que vai apodrecer no pomar. E isto acontece sempre quando o pomar é estragado.
É razoavelmente verdadeiro que os pais estragam os filhos por amor demais ou por uma hostilidade demasiada. Mas esta criança vai pecar ao ser homossexual? Ela peca para a sociedade ou para Deus? Para Deus – respondem os hipócritas(!) A resposta se torna realidade e sentença, a voz que responde é de todos e é uníssona. Deus disse isso? Disse? Deus é carrasco? Repressor? É violento? Ninguém sabe. Penso em Deus como um ser absoluto. Se ele não for absoluto, alguma coisa está errada. E quem nos ensinou o amor? O respeito? Quem pediu para amarmos uns aos outros? Será que em Deus existem duas máscaras? Uma que a todos atende e uma outra que a todos pune? Vamos ver Deus como um ser absoluto, supremo. E o superior não dá ouvidos a calúnias alheias. O superior não se aborrece. Esta é a afirmação mais bonita, quem sabe, sobre Deus. Deus não é gentinha e só gente pobre de espírito e de matéria é que tem preconceito, e nem poderia ter porque por si essa gente já sofre todo tipo de preconceito. As crianças tem urgência por respeito, por compreensão. O velho testamento precisamente que é mais repressor precisa ser esquecido na hora de educar. É hora de se buscar um mundo melhor, de paz, de dignidade, de caridade humana e social. Para que Deus possa sorrir ao olhar suas criaturas. Se Deus sofre porque o filho teve a sua conduta sexual fora dos padrões estabelecidos, sofrerá também diante a prepotência daqueles que se julgam “senhores do mérito e da verdade”. Nenhuma verdade é absoluta e toda verdade é. E isto é a pequena receita de casa diante do que virá depois, o social. Somos religiosamente apegados aos mitos. Nenhuma criatura humana é desprovida de suas crenças. Até mesmo os animais considerados irracionais, acreditam em suas verdades, acreditam no timbre vocal de seus donos. A faculdade do raciocínio animal é abstrata. A sociedade está toda doente, infectada por vírus passados de geração a geração isto é: hipocrisia. É dentro de casa que se deve começar a cura dos males sociais, sexuais e mentais.
Onde houver felicidade sem o mal estar do outro, há a maior aprovação divina.
Há um fator psicológico que a humanidade não costuma estar atenta: o vazio da crise existencial. Essa crise, ela começa a se impor no homem, na mulher, na criança, não só quando o sujeito exerce um papel passivo no meio de sua existência. Ela aparece quando o sujeito vem a praticar um papel ativo também. Ao atiçar, ao alvoroçar o lado machista, preconceituoso e desumano o vazio da crise começa a se formar. Por que falar isto aqui? Fala-se isto aqui para que os consultórios de psiquiatria possam esvaziar um pouco futuramente. Quando as pessoas começam a cuidar uma das outras, sistematicamente elas começam a ser cuidas. Tenho observado que as pessoas estão todas necessitadas, carentes porque ninguém se cuida mais. E aqui é o alicerce de relevante importância para o direcionamento do ser humano. Situações provocadas e acarretadas tragicamente nesse período perseguirá o adulto também de uma forma sistemática. A probabilidade da incapacidade se instala estupidamente, boicotando o ritual do brilho, a força da capacidade.
O delírio anestesiado toma conta de bocas, línguas e corpos, e nada de desejo. A oferta mata o desejo e em conseqüência disso o encanto. Aqui farei dois papeis: o papel de advogado do diabo e também de advogado de Deus, ou melhor, de semi deuses pervertidos ou não. Vou falar de sexo com toda a abertura que ele traz sem máscara, sem remoção dos bacilos e vírus que irmanam nele e por ele. Como funcionam a coisa e a causa no primeiro mundo, onde as pessoas parecem mais civilizadas? E no terceiro mundo onde há uma desvalorização adquirida? Onde são o ocidente e o oriente do desorientar-se na maculação do gozo? Sim, nisto há a fenomenologia do homem. Será que o homem nasceu assim? Ou será que tornou-se ou tornaram-no assim? Ninguém ousará apontar o pecado, apenas o pecador. Percebo que a ciência e a religião não podem mais andar separadas ao falarem de sexualidade. Na igreja ainda há o que ser desvendado. As seitas não podem mais orientar-se sem o avançar da ciência e da sociologia da homossexualidade. Dentro de cada lar é preciso emergência como também o estancar do preconceito. Cem palavras não são mais capazes de alertar, mas uma apenas deixa o natural perder seu curso – “não”. E esta palavra assim como toda e qualquer escolha é dúbia. Mas há clareza iminente para o sábio de sensibilidade. A justificativa de escrever é retrocesso, é processo iniciado em uma nova iniciativa que ainda não sei digerir, é inchaço e cansaço do tudo mal e tudo certo.
Ano passado apresentei um monologo que foi fruto e resultado de pesquisas e auto critica ao mundo GLS. Esse monólogo intitulado “Amores Marginais” foi aplaudido na idealização do expositor, do achar-se perante o ser. E um seleto grupo na platéia concorda, confirma, acredita que algo precisa mudar. Amores Marginais tinha fel nas palavras e aftas em cada amor perdido. E o que se é em força e fome daquilo que se acredita? Neste punhado de informações deve haver muita espiritualidade, luz, filosofia, logosofia, ciência e humanidade. Uma delas ou todas poderão ser perdidas em nome da indiferença. A profecia deve cair por terra em cada ser capaz de chorar no vazio da busca inútil ou ainda da batalha perdida. Queres amor? Ou queres sexo? Busque tempo, mais tempo ainda para se pensar não no imediatismo, mas naquilo que ele pode representar negativamente.
Dedico este livro ao meu amor!
As crianças parecem brincar. E elas brincam inocentemente pelas calçadas, pelas ruas, pelos pátios da escola. E entre elas, um menino ou uma menina sabe que pulsa em suas veias o terror! Sabe que pulsa, mas tudo isso está longe da consciência. Elas sabem que elas não podem ser elas mesmas, elas sabem que quando a hostilidade de um adulto ou mesmo de um coleguinha de escola, é lançada sobre si, só resta a bandeira branca: baixar os olhos, tirar a vista. É assim em todo lugar do mundo. Engraçado que com o enxoval do bebê, os pais já ensaiam o preconceito. Quarto rosa para a menina, com enfeites delicados e, segundo eles, próprio para a menina. Para o menino, amarelo ou azul bebê. E se o menino pudesse optar pelo rosa e a menina pelo azul? Ainda é cedo para isto. Lá maiorzinho, o menino quer tocar, pegar, sentir uma boneca. E vem a família inteira com uma repreensão uníssona: - “Não pode. Isto é para menina”. Eles parecem estar certos. E quem os disse isto? A tradição. A menina quer descobrir a bola: - “Não pode”. Há uma reprise do dizer de novo. E quem os disse isso? A velha tradição que nunca foi ouvida na codificação do ensaio, mas que por excelência se traduziu.
Concordo, e os pais estão certos quando querem repetir a tradição. Assim, eles foram criados, mas eles precisam redescobrir os próprios valores. Não é porque foi assim que assim será eternamente. Estamos em tempo de escolha múltipla ou mútua. Vivemos um mundo cada vez mais castigador, sangrento. Um mundo de entorpecentes, sexo e vírus. E tudo isso é agregado à falta de escolha. Hoje só temos democracia, e a utilizamos da pior forma possível. A forma de utilização é zero. Está todo mundo esquecendo o mediador da vida que é o tempo. A escolha. A tentativa. O outro. O amor. O ser. Temos tarefas inumeráveis a favor de nós mesmos, e elas parecem cada vez mais minimizadas em nome do imperceptível. Estamos diante da vida, cegos, vaidosamente míopes. Enquanto os motivos de nós mesmos são expulsos de nossos ciclos de uma maneira cretina e feroz. Pensamos que estamos renunciando o fator negativo da sociedade com nossa liberdade aberta, mas na verdade estamos renunciando o nosso próprio umbigo. Quando se trata do homossexual tudo parece ser mais difícil. E aqui mais uma vez não haverá espaço para o falso glamour. Estou falando de vida, no anseio maior que é retardar a morte. Mas parece que todo mundo resolveu morrer, mas não aceita o veneno fabricado por ele mesmo. E isso passa a ser contraditório. Quem representa o que nesse teatrinho mal representado que é o solo gay? A bala não dispara mais, hoje, ela foi substituída pela fonte de sífilis, AIDS e gonorréia. Quem ousará romper com a certeza do berro na hora do ferro? Por uma postura social e humana já.
Só a felicidade individual pode reciclar a sociedade. A solidificação do hoje é espelho da felicidade, do pouco peso sobre as costas. Os pais precisam entender que não é a cor do quarto, o brinquedo certo que irá definir a sexualidade desse pequeno que vem ao mundo, muito menos o triturar do desejo quando chegar a adolescência, mas sobre isto falaremos mais tarde. As próprias instituições educacionais assim como os pais precisam reinventar um novo cordão umbilical e não amar o próprio umbigo. Ensinar valores não é ensinar a reza, a crença. E sim a importância de cada coisa. Há coisas que não foram e nem serão aprendidas numa sala de aula. Não há universidade que desqualifique isto. Há grandes falhas a serem corrigidas e isto parece fundamental. Nas escolas falta sim, a disciplina sexual, o saber do mestre sobre o isto onde o preconceito possa vir a ceder para a realidade e o valor sexual a ser integrador junto do valor humano. Vale ainda destacar as tarefas de casa onde muitas vezes os pais junto com os filhos precisam fazer algum tipo de pesquisa. Pega-se como exemplo uma colagem no caderno da criança. E os pais procurando figuras junto com os filhos dizem: - “Não, essa é feia”. Mas uma vez o preconceito se instala e é implantado na criança. É preciso estudar valores, rever conceitos para que o bem desnecessário seja interditado. Um preconceito é irmanado em todo preconceito. Quando acima é citado as instituições educacionais é porque é visto nas secretarias, nos intervalos, educadores a se perfumarem de seus mesquinhos ponto de vista e de interesse. Um educador pode ensinar português, matemática, seja o que for, mas o seu papel seria educar, é fazer com que o maior numero de alunos pudessem se transformar em mensageiros de uma nova civilização.
Estamos aqui para falar da criança e defendê-la de qualquer violência psicológica e sexual também. Para que ela não se torne o adulto que hoje se reinventa no manifesto da promiscuidade. O que são dessas criaturas dentro de um lar hostil, onde a força e a voz alta imperam em nome do medo? A criança vai se reprimir. E toda repressão tem um momento em que vem a tona e explode em nome da revolta. Medo causa revolta, e o purgatório pode ser paraíso. Lá fora não há culpa explicita. São necessários sob a visão da problemática poetizando a metáfora: o nascer, o pinto, a casca do ovo, a fragilidade, e principalmente a galinha a não ver o sexo do pintinho. Ela sabe e compreende que precisa proteger. Sexualidade não se cria, apenas se educa ou se reeduca, ou seja, se pratica. E não tem como mudar o curso natural das coisas. O menino(a) não foge da sua condição. E os pais esbravejam em nome da vaidade e da vergonha que é transitável na satisfação a ser dada socialmente. O filho e a filha podem ser homossexuais? Não podem ser. São. Quando há dúvida e preocupação é porque eles, os pais, sabem. Não há dúvida impunemente. Os pais, pobres coitados, preferem passar a régua na cabeça do vizinho falador do que água o fruto deles que vai apodrecer no pomar. E isto acontece sempre quando o pomar é estragado.
É razoavelmente verdadeiro que os pais estragam os filhos por amor demais ou por uma hostilidade demasiada. Mas esta criança vai pecar ao ser homossexual? Ela peca para a sociedade ou para Deus? Para Deus – respondem os hipócritas(!) A resposta se torna realidade e sentença, a voz que responde é de todos e é uníssona. Deus disse isso? Disse? Deus é carrasco? Repressor? É violento? Ninguém sabe. Penso em Deus como um ser absoluto. Se ele não for absoluto, alguma coisa está errada. E quem nos ensinou o amor? O respeito? Quem pediu para amarmos uns aos outros? Será que em Deus existem duas máscaras? Uma que a todos atende e uma outra que a todos pune? Vamos ver Deus como um ser absoluto, supremo. E o superior não dá ouvidos a calúnias alheias. O superior não se aborrece. Esta é a afirmação mais bonita, quem sabe, sobre Deus. Deus não é gentinha e só gente pobre de espírito e de matéria é que tem preconceito, e nem poderia ter porque por si essa gente já sofre todo tipo de preconceito. As crianças tem urgência por respeito, por compreensão. O velho testamento precisamente que é mais repressor precisa ser esquecido na hora de educar. É hora de se buscar um mundo melhor, de paz, de dignidade, de caridade humana e social. Para que Deus possa sorrir ao olhar suas criaturas. Se Deus sofre porque o filho teve a sua conduta sexual fora dos padrões estabelecidos, sofrerá também diante a prepotência daqueles que se julgam “senhores do mérito e da verdade”. Nenhuma verdade é absoluta e toda verdade é. E isto é a pequena receita de casa diante do que virá depois, o social. Somos religiosamente apegados aos mitos. Nenhuma criatura humana é desprovida de suas crenças. Até mesmo os animais considerados irracionais, acreditam em suas verdades, acreditam no timbre vocal de seus donos. A faculdade do raciocínio animal é abstrata. A sociedade está toda doente, infectada por vírus passados de geração a geração isto é: hipocrisia. É dentro de casa que se deve começar a cura dos males sociais, sexuais e mentais.
Onde houver felicidade sem o mal estar do outro, há a maior aprovação divina.
Há um fator psicológico que a humanidade não costuma estar atenta: o vazio da crise existencial. Essa crise, ela começa a se impor no homem, na mulher, na criança, não só quando o sujeito exerce um papel passivo no meio de sua existência. Ela aparece quando o sujeito vem a praticar um papel ativo também. Ao atiçar, ao alvoroçar o lado machista, preconceituoso e desumano o vazio da crise começa a se formar. Por que falar isto aqui? Fala-se isto aqui para que os consultórios de psiquiatria possam esvaziar um pouco futuramente. Quando as pessoas começam a cuidar uma das outras, sistematicamente elas começam a ser cuidas. Tenho observado que as pessoas estão todas necessitadas, carentes porque ninguém se cuida mais. E aqui é o alicerce de relevante importância para o direcionamento do ser humano. Situações provocadas e acarretadas tragicamente nesse período perseguirá o adulto também de uma forma sistemática. A probabilidade da incapacidade se instala estupidamente, boicotando o ritual do brilho, a força da capacidade.