Depois de um ano, retorno a cidade. Retorno a Fortaleza. E o que eu posso dizer sobre o interior? Sexualmente nada, no sentido de ter tido alguma experiência. O interior traz em sua vestes mal confeccionadas linhas da decadência gay de uma grande cidade. Isso ainda lembra quando me reportei em algum periodo aos veteranos de Martinópole. Os novos gays da cidade nao conduziram sua sexualidade para algo, digamos, diferenciado. Eles permanecem sendo escória, sendo esperma e nada mais. Um amigo havia me perguntado: O que você vai fazer no interior? No interior, você nunca vai conseguir um relacionamento. Mas eu nao estava indo atras disso. Eu estava indo ao interior por outros motivos. E confesso, voltar na certeza que eu nunca atirei palavras que pudessem denegrir a imagem e a conduta aqui tantas vezes tratada. A realidade nua ou crua é o que aqui se antepoe e expoe aos fatos daquilo que nós jamais sabemos, e por nao sabermos tambem jamais negamos. Nós temos em nós e não nos outros a praticidade de coisas que vão sim nos levar a estrada da inexistência. Não tem o gay quietinho do interior, não tem o gay comportadinho da cidade grande. Todos têm em mãos o mesmo manual. Todos têm na nantureza corrupta a mesma capacidade incapacitada de uma auto- anulação jamais compreendida, mas de uma perfeita harmonia defeituosa.
será que gay existe? Será que eu existo? Será que quando Pluft, perguntou pela primeira vez se gente existe, já havia essa acentuada e incestuosa degradação? Já. O mundo são residuos de uma camada ainda não assistida, mas filosoficamente apreensiva de culpa e perdão. culpa e perdão no singular porque alguma coisa ainda é sem sentido, mas é sentida. E quem promete o arco da libertação? Quem suportará o descabível rompimento consigo mesmo em nome de uma esperanaça ainda não anunciada? O mundo paga o seu preço. E eu não posso, e quem poderá dizer ainda o resto de esperanaça que parece se acalmar? Calma no sentido de não ter mais força, calma no sentido de não ter mais como lutar. Então partamos todos, partamos rumo aos amantes latinos sem saber se levamos o brilho ou a lágrima no olhar. avante, meros gaviões descrentes do apogeu do amor.
2 comentários:
Oi, Marcelo.
Aqui é o Michel, da Toca.
Conheço bem a situação de como a homossexualidade é encarada no interior. Já que meu pai vive num interiorzinho qualquer, escuto muito sobre as opiniões de quem mora por lá. E nunca são boas.
Mas sim, pensamos, logo existimos!
^^
Oi, estou lendo seu blog, desde já achei-o interessante
eu também tenho um, com idéias proprias, abraços.*
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