O que será que terá agora força para eu escrever? A vontade? A necessidade em me expressar? Está tudo acabado. Mas confesso, e não me arrependo: O mundo emblemático, emaranhado, cheio de fios e navalhas com seus cortes potentes e violentos são mesmos os caminhos percorridos por gays.... digo gays e não homossexuais. Quero apesar de não querer, resguardar esta palavra aos últimos seres decentes da América Católica. Das ruas de San Francisco, dos becos frios e úmidos das noitadas paulistas, dos corpos desnudos da noitada carioca, dos cinemas infectos do centro de Fortaleza, dos carnavais balançados no sexo da sensualidade baiana, dos portos calhados e caidos de Recife sem pena e piedade, nenhum terá uma palavra que possa defini-los na decência nem mesmo na última esperança, porque ela parece morta. Gay é mesclado no desencontro, na punheta corrosível no efeito do arder que não é pimenta, do néctar do sexo que é mais que prostituivel. E eu lamento por todos nós, por mim tambem. Hoje encontro, meus ranços, meus pensamentos empatados na lembrança do não ter o que esperar. do não ter em que acreditar mais nessa causa....
A causa e o costume gay foram soterrados no discurso piega e enfadonho do querer ter direito. do querer respeito. Como exigir de uma sociedade respeito se nós achocalhamos a nossa única propriedade - nosso corpo? Como enfrentar uma sociedade se estamos realmente doentes.... e lembro ainda e aqui reforço que infelizmente o arcebispo tinha razão. Há sim, um desequilibrio, há sim, eu acentuo isso com muita ênfase: somos derrotados pela vulgaridade que nos garante a ilusão do rir á toa, que nos garante o exercicio do sexo barato e não importante, ele já se perde na desvalorização. Houve uma maldição, assim, me parece, mas posso estare errado...
Onde estará aquele corpo limpo, sadio, cheio de vida e pureza para que se possa desfrutar a beleza do encontro? Foi jogado no lixo, na exibição da vaidade que parecia inabalável, mas que foi castigada dentro da boate no ritmo contraditório de I WILL SURVIVE. O nosso hino fala de sobrevivência, e nós será que sobreviveremos? Preciso me ausentar do micro para gargalhar à toa........
voltei, eu não poderia sair do micro com a palavra quebrada.
Seremos os últimos madrugadores cansados no final da festa. Ou então no delírio antenuante e nunca atenuado que conduz a maioria a um leito decadente de um hospital constituido para dar cabo ou abrigo aqueles que andaram demais, que não tiveram tempo de olhar para trás. A caminhada é longa, porem a vida gay muita curta. Estou sendo óbvio assim, me parece. Quantas madre tereza seremos para salvar a nossa vil humanidade ou conduta?
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monstrinhogsv@hotmail.com
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