O sexo sempre é praticado à margem. É na noite que os “doentes” se saciam. Mas eu não fui tão inocente assim. No íntimo havia alguma alguma interrogação. O rapaz me levou para o fundo de um quintal, e até aqui tudo ainda estava no terreno da perfeição. Eu pensava assim: - “Quando eu casar, vou comer a minha mulher com um modess envolta do pau para o menino nascer gordo.” Agora havia um cacete duro, doido para entrar em mim. O cara estava decidido a me foder. Senti tesão, medo, febre, tudo ao mesmo tempo. Os pais deveriam ensinar aos filhos desde cedo, o significado do sexo. Muitas coisas poderiam ser evitadas com uma simples ameaça da criança: - “Vou dizer para o meu pai.” Mas são as crianças quem mais temem dizer a verdade. Assuntos proibidos são recusados. Não só as meninas, os meninos também estão exposto ao sexo na rua, quando não, dentro do próprio lar. Quando acontecesse isso entre duas crianças da mesma idade é natural, mas entre um adulto e uma criança, não é. Quando é assim, entra a indução... A ignorância dos pais, o machismo permite a defesa do hímem da menina, depois da adolescente, isso perdura até o pai entregá-la para o futuro marido que continua a vigiá-la em uma disputa desigual. Já com os meninios não acontece a mesma coisa, geralmente os pais pensam que o único crime social que os filhos podem defrontar-se é com as drogas. O sexo fora de hora é um crime cruelmente pior. É bom saber que todas as crianças assediadas acabam cedendo de uma forma ou de outra. É preciso ainda saber onde estão so vigilantes da hora? Os meninos maiores que brincavam com a gente partiram em minha defesa. Para os meus valores só eu havia pecado. Não deixava de ser um ato vergonhoso! Eu jurei levar esse segredo para o túmulo e sepultá-lo. Mas a história se espalhou e não tive o menor controle sobre isso.
.... , e foi assim. Eu perdi a minha inocência(?) em um fundo de quintal fedido, no meio do lixo como se eu fosse um porco ou outro bicho da espécie a perder a virgindade sem a menor estrutura. Tudo acontecendo na hora errada. Na clandestinidade. É assim a primeira vez de todo “viado.” Uma espécie que é vista como: marginal, doente, geni, verme, pulha, sub-raça. É assim que se é vista... não? Mas dentro de todos sse elementos existe uma criança corrompida, mal amada, porque assim é o resto da humanidade. A sordidez toca a vapor. A minha febre não deveria ter passado assim, e não passou, ficu interna como esse segredo que jurei levar para o túmulo. Não recordo muita coisa desse período, o tempo passava aparentemente normal. Eu não tinha amigos. A minha família fazia lembrar uma expressão que Nelson Rodriguês usou em – Bonitinha, mas ordinária: “Toda família tem um momento, um momento em que começa a apodrecer. Percebeu? Pode ser a família mais decente, mais digna do mundo. E lá um dia aparece um tio pederasta, uma irmã lésbica, um pai ladrão, um cunhado louco. Tudo ao mesmo tempo.” Eu não tinha completado ainda dez anos... sabe o que o meu pai disse? Disse que se eu não fosse baitola quando crescesse era muita sorte. Disse isso, disse que eu tinha todas as atitudes. Disse, na minha cara, me olhando como quem avalia um bicho antes da compra. É muito forte uma criança de nove anos ouvir isso do próprio pai. É um choque para qualquer pessoa. Sabe por que o meu pai não soube qual era a minha brincadeira preferida? Porque ele fora um péssimo pai. Não tem vigilância de mãe e nem proibição de pai que façam o menino fugir do que está dentro dele. Deve vigiar sim, mas para defendê-lo da violência, que eles nunca enxergam, o mais é perca de tempo. O homem quando nasce para gostar de homem, ele gosta. Pode comer duas mulheres por dia que nem isso o impede, porque chega uma hora que ele quer arriar as calças e dar a bunda, ou então, comer um macho.
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