"O Poeta Aponta a Lua, O Idiota Vê o Dedo...


Desculpe, meu amor, mais você precisava saber disto. Você me pediu para não cessar minha causa, naquela mesa de bar, você ainda parecia meu. Depois a curiosidade levou você para longe de mim. Não adianta aqui uma quebra de braço. Serei passivo diante esse fato. Assim eu sofrerei menos ou sofreria. E cada vez que você for nessa estrada fascinante, a iluminar os pedregulhos, que você falsamente acredita serem reais e cheios de brilho você está a sucumbir. Eu cesso a causa, eu cesso a luta. Eu perdi, o meu bem mais precioso: você. Mas não lhe condeno por causa alguma, e quando não compactuo com sua amizade é por que sei que não há motivo para amenizar os fatos. Espero que um dia qualquer, você caia na real, e possa perceber que a vida não é isto que hoje o leva, que o hoje encanta. O valor dado as pessoas deve ser prioritário. Aprenda isso, hoje saio da cidade, para me reencontrar, para me salvar de labirintos que criei na idealização de encontros maus logrados. Amo você. Não esquece disso. E saiba que a importância que lhe dedico é fidedigna a visita que um dia o farei... talvez um dia, tenha certeza, eu o visitarei com um ramalhete de flores. Ou quem sabe com uma palavra amiga cheia de surpresas que lá fora não surgiram. Não o dedico mais o meu amor, e sei que o amo. Mas sua incapacitada é sua e não posso fazer nada para que ela desapareça. Guarde o meu ultimo abraço, assim como eu guardo as belas tardes, as noites que tivemos de inteira cumplicidade. Um dia quem sabe, talvez você aprenda a amar... e que nesse dia a mentira não esteja presente para que não fique nos ouvidos de seus futuros amantes a verberação que fica agora em mim: você é um grande mentiroso.

Eu gostaria de dizer também que você não é culpado, e que é sabido pela história da civilização que cada um só pode dar aquilo que tem. E infelizmente você teve muito pouco para me dar sentimentalmente. Eu não estive errado por querer mais. Siga em paz! Tudo isso começou naquela mesa de bar, você tentou me convencer a escrever. E eu escrevi. Agora sinto a nostalgia dessa tarde em que escrevo. Mas percebo que aqui realmente mais um capitulo chega ao fim. E se haverá um vale a pena ver de novo não sei. Acredito que não. Mas uma história entre nós dois existiu... e só o tempo dirá se as cenas memoráveis serão definhadas por nossas memórias, talvez ingratas.

Um beijo. E espere que um dia eu lhe dedico um ramalhete de flores. Levarei flores ao seu tumulo. Isto lhe parece e é dramático, mas dentro dessa dramaticidade há todo um bem que só assim se explica. Não há nada mais poético do que levar flores ao tumulo do ex amante. Não veja isto como insulto, juro que não é. Nisto há ainda toda a ética, o cuidado que semeei.

Juro que eu beijava o seu corpo, o seu cadáver para provar que eu fui digno de você. Mas enfim, a nobreza de um homem é inexistente quando falta o motivo do outro. Será que escrevi a você o ultimo sopro com brilhantismo? Aqui eu faço e interpreto o meu ultimo monólogo. Será que entre nós existe ódio? Ou mágoa? “O ódio é muito próximo do amor”. Temos um dever impar que é nunca fazermos mal um ao outro. É com tristeza e peso que fecho isto. É um pedaço de mim, que desaparecerá agora na despedida. Sinta o meu beijo no seu olho esquerdo... sinta, sinta com o mesmo sabor que sentira outras vezes. Ofensas foram inevitáveis. Eu envolvido no apego, senti a sua indelicadeza. Indelicadeza sua me pedir para corrigir uma carta que você direcionava ao seu novo rapaz, indelicadeza sua falar ao telefone com seus ficantes e mesmo tentando disfarçar eu percebia. Mas é sabido ainda que isto é uma questão educacional. Fomos no limite. E nesse limite a mágoa foi particularidade. Todas as coisas que nos foram proporcionadas de uma forma negativa, é possível que um dia nem você nem eu gostaria de passar. Saiba que todo o universo é regido pela mesma lei. Pelos mesmos códigos filosóficos do sentimento. E sentimento sentido deveria ser sentimento respeitado. Em nome disso em lhe disse: fora! Você não tem mais nada que eu possa admirar. Quando eu queimei o seu namoradinho foi proposital, o rapaz nem tinha culpa, mas eu quis naquele momento também, lhe ferir. E não tenha duvida naquele momento você já estava fora da minha vida. Na minha vida simples não há espaço para canalhas, e gentinha mal educada.

Se é verdade que o ser humano deve ser igual ao cedro que perfume o machado que o derruba. É bom que você aprenda isto. Eu sou todo um jardim, e você apenas uma papoula murcha que se perdeu no córrego poluído. Entre nós não há nenhuma possibilidade de uma amizade, de um afeto. Ainda estou preso entre a mágoa e o nojo, mas preciso ainda lembrar que falei em perdão. E preciso consertar isso dentro de mim. Para que não seja guardado nenhum arquivo preto. Fique junto dos porcos, e coma do mesmo farelo. Fique junto dos assassinos de alma, junto dos chantangistas da honra alheia porque a sua moral é isto. Igual. Vocês são todos da mesma argamassa, feitos da mesmo argila. Escrevo isto para lhe punir, para aviltar todo a bem querer que ainda lhe dedico. Eu não posso querer bem a você, eu não posso esquecer que faltou respeito. Que você segundo a sua própria mãe é um ser egoísta, mentiroso e mesquinho. Ninguém é obrigado a amar ninguém, mas é essencialmente necessário o respeito.

Eu só espero que um dia você se encontre e seja mais homem, mais gente, mais voltado para a dignidade e valorização pessoal. Ei, o cara legal que você conheceu foi embora, você percebeu?

final do artigo francamente......

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