O desejo pode e desafia qualquer intolerância. Uma vez, ele falou para Águida que gostava de mulheres e homens, e que se colocassem na balança, gostava mais de homens. Isto fora dito não em nome da verdade, não em nome do respeito, mas em nome da arrogância. É arrogante dizer certo tipo de coisa para quem nos ama. O sentimento é nobre quando fala de bondade.
Seu Renato, hoje está com sua vida financeira comprometida, destruiu a carreira, a família, os amigos. Renatinho, quando esteve no interior, viu as anotações do pai em agendas, calendários, onde ele anotava o dia, a hora em que havia sido comido ou teria comido alguém. Ele não anotou um poema de amor, uma frase que tragasse a saudade. Seu Renato pensava em sexo, em quantidade, e esqueceu não propositalmente, mas circunstancialmente o valor da coisa. Foi esquecida a leitura de si mesmo. E embora hoje, isto seja feito. Ele não terá mais tempo, o saldo agora será insuficiente. Foi pedido ao Renatinho que o abraçasse, Renatinho o compreendeu mas não o abraçou. Haviam ao longos dos anos um acúmulo de silêncio e posteriores desafetos. Renatinho não teve amor de pai. Renatinho é gay e luta para não ser, aliás lutava, agora ele circula em pointes. Inútil o verbo se consumindo como febre e fogo. Renatinho precisa aceitar e não correr os mesmos riscos do pai. E o pior é que corre. A vulgaridade o ronda assim como o lobo ao luar... há dentro dele sangria, que desata. Renatinho abraça o legado do pai e o recebe com alegria indizível. Ele se acha experto. Mas uma hora ele vai saber onde dói a dor dos lençóis.
Mas é garantindo pela constituição a todo cidadão, o direito de ir e vir. Tudo isto aqui falado, é falado por quem soube e sobreviveu. Por quem testemunhou a conduta gay desvairada num esgoto a céu aberto... e hoje acredita que morre o último dos românticos. Último para esse instante porque ainda é maravilhoso saber que nesse mesmo instante um novo romântico nasce. Embora morra daqui a pouco vencido. Mas ele é como a rosa tem o seu tempo de perfumar o mundo. Mas o tirano matará a poesia, o essencialmente necessário cada vez que a porta do submundo se abrir. Porque o idiota prefere ser aplaudido na chegada e vaiado na partida, saboreando suas lágrimas amargas. Gays possuem as lágrimas amargas de Petra Von Can.
Basta olhar um enfermo, que o grito de alerta se dá, se abre em eco.
Bobagem isso, vai, vai é um direito teu.
Você tem toda liberdade de mascarar o rosto e desnudar o corpo. A alma não é essencial para o vaidoso mortificado no fim. Mas mascarar esse desnudo é um processo vagaroso, é passo a passo, lento até a velocidade se alterar. Ninguém pode citar regras, isto não. Não somos modelo para ninguém, e sim, hipócritas de alguém. Somos sexualmente pajés e não aceitamos um papel coadjuvante na tribo. Queremos ser o maior, o mais desejado, o chefe, o líder sexual... e nisto foge toda a regra e todo o padrão...
Muitos que tomarem conhecimento disso, a isto não darão importância, porque eles sabem que não irão se salvar na cultura sexo-social... lamento por todos que vivem a sexualidade um esgoto a céu aberto. Quem de nós conseguirá se salvar da vulgaridade promíscua ou da promíscua vulgaridade?
É pena que a surdez seja estúpida ou a cegueira uma canalhice humana praticada contra nós mesmos. Mas enfim! É sabido que em uma calçada larga e farta há um animalzinho abandonado, entregue ao medo e a fome, ao frio. E o que os homens de bem preferem fazer? Dá-lo de presente a carrocinha para que em algum posto também frio, ele seja forçado a desistir da vida. Isto parece e é desencargo de consciência, quando o bom senso não diz acolher... Mas cada um é também livre para seguir seu próprio manifesto... É irônico ver instituições de orientação sexual pregarem - Queremos respeito! Instituições de orientação que não orientam nada. São pessoas que gritam no peito a promiscuidade e são imperceptíveis na junção do aviltamento com a falsa liberdade. Eles propagam a devassidão mascarada. Sejamos inteligentes para alcançar isto: “Fecho isto, todas as cortinas, antes que a AIDS faça morada em mim, e se alastre em meu corpo assim como um estuprador se apossa de uma xoxota”. - Tamires Língua de Veludo, Travesti.
Tudo mais é o aviltamento já mencionado contra a inteligência pessoal, contra a ética do amor.
“Hoje eu volto vencido para pedir para ficar aqui. Meu lugar é aqui, faz de conta que eu não sai.”
Cantada por Fáfá de Belém
Nenhum comentário:
Postar um comentário