Impasse


Este livro não deve mais ser escrito, tudo isso faz mal. Tudo isso é direcionado a destruição do falso glamour. A esparrela do glamour é destruída, e para o mercado, isto, essa destruição não é bem vinda. Talvez o conhecimento de causa esteja ainda se abrindo em conteúdo para ramificar toda a pornografia exalada no gueto. Alguma coisa de fato e erro está danificada quando leva um carinha a descer as calças em uma sala escura de cinema ou boate e esperar que dez ou mais de quinze abufelem seu sexo, seu ânus que passa culturalmente a ser serviço prestado ao macho. O ânus recebe e culturalmente ele fica em desvantagem. O nome do cara não se sabe, isto não importa, assim como não importa saber o nome de tantos outros. Ele desceu as calças, ficou em posição de asa delta, e deu e foi usado e foi possuído por vários homens ao mesmo tempo. A resistência, e não o ato dele, foi digna de aplauso. Aplauso por suportar rola de toda cor, todo tamanho e todo tipo de movimento que variava de acordo com o prazer sentido pelo macho. Terminada a sessão, o corpo do ser não identificado estava banhado de esperma. Ele não pode abrir os olhos antes que a gala fosse retirada de suas pálpebras, de seus cílios. Por uns cinco minutos, ele bambeou as pernas e escorou-se na parede para não cair; outros o olhavam extasiado. Quem olhava traduzia no olhar um misto de admiração e susto, de inveja e medo, de desafio e inibição. O ânus dele estava a sangrar. O mal cheiro de merda exalou, mas nem isso afastou os ainda ávidos por bombar. Aquele buraco passava a ser alvo de disputa e rejeição. A boca dele derramava baba como resultado em conseqüência da sugação de cacetes diversos. Recuperada a caça subiu as calças, disse a todos um muito obrigado e se mandou. Foi embora sem olhar para trás. Era possível que nenhum de seus parceiros nunca mais o vissem. O veriam sim, bastava continuarem em seus redutos. Os mais despudorados... Aliás, não tinha o mais nem menos, apenas uma disputa silenciada e ainda a unificação do quanto mais melhor! Vitoriosos iam embora aqueles que tinham um, dois, três, dez parceiros. E infelizes o que conseguiam só um fica no rastrear da masturbação. Todos ficam assim, é apenas uma questão de tempo, basta ir. Há um provérbio bem popular e já desqualificado por causa do achocalhamento que diz: “quem se junta aos porcos, porco é... e há de comer do mesmo farelo.” Estevão, uma vez, em um cinema, resolveu desafiar todo mundo, toda a força e todo o desejo. Olhou os que estavam presente, e disse em voz alta e em bom tom, que naquela manhã, tarde e noite estava disposto a bate recorde. Ao chegar no cinema as dez da manhã, foi o primeiro a chegar, lá para as onze já havia oito pessoas. Estevão disse que gostaria de engolir rola, queria saber quem estava disposto a comer cu. Dos oito presente, cinco eram passivos, apenas três estavam disponíveis a esse jogo. Mas Estevão estava espevitado, e sabia que os outros cinco não iriam ter nada dos três homens. Estevão teve sua bunda usada, sua boca escovada e lavada a esperma e mijo. Estevão no final da tarde já havia dado para 35 homens, mas ele queria mais, não se dava por satisfeito. Sua busca não se resumia a essa quantidade que parecia ser mínima. Estevão acreditava em poder, em sua sexualidade ativada e no cio. Ele Estava no cio, e diferente de uma cadela não conseguia dar só para um. Dava para todos! Estevão viu a merda descer em sua perna esquerda, e ele sabia que estava arrombado. Foi até a pia, neste cinema havia uma torneira com água, pegou um sabonete que trazia no bolso, e quase sentado na pia, lavou sua bunda em brasa. Depois escovou os dentes, lavou o rosto, e pagou três reais para tomar banho na pousada ao lado que pertencia ao cinema. De volta, ele demonstrava-se insatisfeito. Tudo aquilo havia sido pouco ou não realizador, e pela noite, ele pegou os homens que saiam do trabalho no centro da cidade e que davam suas escapulidas. Estevão pedia mão na cara, pediu violência sexual, pedia brutalidade e excitação. A pornografia verbal parecia excitá-lo: “porra, caralho, filho da puta, me lasca, vai, arregaça, pilantra”. Estevão confessara que antes de ir ao cinema, um ato de sexo com respeito o deixava realizado, mas que o cinema havia corroído seu freio, seu senso. O que houve com Estevão pode haver com qualquer um. O desejo pode! Isto é preciso lembrar. Estevão já estava de quatro dentro do banheiro, a cara quase que enterrada no vaso sanitário... alguém soltava gases mal cheirosas, e ao perceber isto, Estevão olhou a todos e perguntou quem foi. “Não é por nada, mas podem cagar na minha boca. Eu deixo.” O coroa de cabelos grisalhos achou impossível o desafio, e topou. Quem quis ver viu, quem não quis retirou-se. A curiosidade deixou vários homens de olhos arregalados ao verem Estevão de boca escancarada a comer merda. E de boca cagada Estevão foi deixado no chão do banheiro, solitariamente. Sua única companhia era uma lágrima no olhar. Aqueles homens diante de tal cena sentiram-se ameaçados, era como se não encontrassem sentido naquilo. O nojo trouxera a culpa. E alguns juraram não mais voltar.
Isto acontece com os outros! O ser humano nunca admite isto em si mesmo, mas se tratando de sexo sem regra ou regras quebradas, tudo é possível de acontecer. E aqui que tanto se fala em impossibilidades, aqui há uma possibilidade primitiva, acentuada e pairada no “juro que talvez”. Isto é desumano, mas há também aqueles que acreditam que são livres para serem elas mesmas. Mas esta “liberdade” mas uma vez precisa ser grifada assim como a atenção dos semáforos.
Victória Capuleto, personagem da peça homônima, dizia que a gente compra um sanduíche para saciar a fome das tripas, um cobertor para livrar-se do frio. E por que não um corpo que nos acalente a solidão? E conversando isto com Thiago, um trocador de ônibus, que vez e outra pego em serviço. Ele remeteu a tudo isso uma desumanidade da personagem praticada contra si mesma. Thiago é alheio a tudo isso, e falou ainda sobre motivação, necessidade, mas que toda e qualquer justificativa não minimizava o ato desumano, a violência de Victória para com ela mesa. Victória era um homem cheio de conflito, uma mulher não solucionada, um travesti criado na rua, sendo cria da própria crueldade. Vitória era ainda um menino assustado diante a violência praticada pelo tio. Cada pessoa pode apresentar proposta e contra proposta e tentar convencer o outro que ela não está passiva a degradação, ninguém é capaz de vencer a promiscuidade quando ela faz chegada e não é perceptível. O quadro por si se agrava e agravado o quadro é manchado em nome da impureza sexual. Ainda a maldita curiosidade. Falar em diversão gay, fala-se em sexo. Igual ao tóxico depois de provado é associado a grandeza que foi referenciada pelo alucinógeno. A palavra de Thiago é determinante. O termo é desumano e como não sofrer pelo outro? Como não se compadecer com a miséria humana? Com a violação que Estevão provoca em si mesmo? Todo mundo está passivo e sujeito ativo. É necessário enxergar o desmoronamento da idéia. Não era para isto acontecer, mas acontece. Há muitos enganos, na mutação da vida. A ilusão da óptica e a carência adquirida também são irmanadas na vilania, e inimigas impares da coragem. A carência, ela renuncia o ultimo ato da coragem. A carência se alia a atitude suicida de um herói clássico. A carência não foge nem deixa fugir, ela faz permanecer mesmo quando não deve.
Ninguém pode ter tudo. O desequilíbrio discorda disso, mas o desequilíbrio é para ser trabalhado. A natureza deu ao ser a inteligência para definir, para distinguir a atitude e o gesto. Um se enche de detalhe enquanto o outro precisa unicamente do movimento preciso, da palavra falada em nervos de aço. Naquela mesa de bar, a quebra de braço poderia ter se dado com a mesma valentia dos corpos bitolados no sexo. Só que a não discutir, eu gostaria de não ter provocado um debate de idéias contraditórias ao convencimento do que eu ouvia. É possível ir e não se contaminar? Acho pouco provável. Duvido. É praticamente impossível. É possível estar e não ser ou ainda ser e não estar? Acredito, hoje, muito mais no suicídio do homem. Porque esse suicídio é provocado em nome da vida, em nome da liberdade, em nome da diversão. Não quero mais duelar com o meu namorado. Temos pontos de vista diferentes. E de minha concepção que é exibida não abro mão. Não estudei, não pesquisei até aqui para ser convencido pelo primeiro dos últimos curiosos. E como não quero mais dizer nada para ele, “o tempo se abre e mostrará o seu chavão.”
O que é motivo? Necessidade? Conduta? Caráter? renúncia? O que vem a ser a curiosidade? Um antídoto a vida? A morte? Quem ousará resposta? O tempo? O ser humano é minúsculo diante o poder do desejo. Quando o desejo manda o homem chupar o sujo, o sujo nesta hora será chupado. Quando o desejo diz é este, é porque este já foi escolhido. Há uma energia que é esgotada porque não gostaria a razão de ser projetada na verdade que é esta. Embora seja uma verdade de interesse não coletivo. Palavras ditas nasaladas parecem provocar a tortura, o inflingimento da voz, o doer dos ouvidos ao receber em eco: babado, estou bege, dona santa, diague, escândalo, abalou, oi, bonita! Ah, ta, meu bem, e ai? a ta. Divine, ta boa? Passada, a gay. A que problema verbal e mental está sujeito o individuo.?
Uma receita simples deveria ser passada que é o não morrer na solidão, é o ser politicamente correto, ainda que pareça ser difícil. O cara zoado tem quantos corpos ele quiser, mas o vazio vai grita dentro dele. Ao conhecer , eu já fiz a minha escolha, optei por não querer essa vulgaridade toda, me parece nojento. A inteligência não é amigável a essa noitada de corpos libertinos. Direito deles isto é sabido, mas não perde o seu efeito desumano. Stênio e Alfredo pareciam os namorados perfeitos, eram apaixonados por música, teatro. Na verdade um era apaixonado pelas coisas que o outro gostava. O relacionamento deles tinha durabilidade porque nem um nem o outro sentia atrativo pela boate, pelo cinema. Eles sabiam se divertir em lugares comuns, em lugares de todo mundo. Stênio sempre teve sua postura ética sexual, e admirava isto em Alfredo. Amigos gays, eles não tinham, não havia neles interesse nisso. Barracas de praia, para eles também eram lugares que não deveriam ser explorados. Ambos acreditavam que ir a este tipo de lugar era se excluir, era promover o aparthaid sexual. Tudo era muito próximo do povim, da pequenez. Eles achavam bonito a parada pela diversidade quando ela surgiu no Brasil, em São Paulo, tendo Martha Suplicy, Leão Lobo e mais uns quinhentos militantes, depois disso, ela virou um carnaval mal direcionado. Um grito não de direito, mas de aviltamento. Muitos casais mantém seus relacionamentos sem o mofo do homossexualismo porque é sabido que: Há um cansaço gigante sobre a questão. Alguns lutam pela diversidade sim, mas isto é pouco quando a maioria esmagadora está vivendo um esgoto a céu aberto... e propaga isso em nome da liberdade. E nisto parece que ninguém consegue pagar seus tributos, na transparência do justo que seria dar a César o que é de César.
Há muita sanidade em centenas de relacionamentos. E são estes que precisam propagar o relacionamento sim.

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