X PARADA GAY FORTALEZA 2009

"Esse ano está riquissima!" " A Preta Gil... tudo!"" Não perco por nada desse mundo." " Já me programei toda. " Orgulho já". "Mooorta, são dez anos." " E temos conquistado muitas coisas". Ouvi essas coisas entre outras. E acabei me deprimindo. Sabe ou eu sou muito realista ou os outros saão muito iludidos. porque na realidade nao ganhamos nada, o baitolismo so piorou o preconceito. ano passado, em um programa local houve um concurso para saber qual era a bichinha que dava a melhor rabissaca. E nessas horas cadê o movimento, interrogar parece impossivel. aspiadas contra asbichinhas continuam, o preconceito é o mesmo. Só que agora ao invés de terem raiva e xingarem, as pessoas acham melhor rir, zombar, caçoar. Cada um usa o termo que melhor lhe for conveniente. Estar todo mundo só. É muito dificil o encontro de duas pessoas, os heteros estao mais juntos, estão cada vez mais construindo relaçoes. Os gays não tem essa meta socialmente. Essa vontade é apenas íntima. Dnetreo de cada um há esse sonho, mas exteriormente isso tem se complicado cada vez mais. E isso provem muito de uma falta de educação. Tenho percebido que ser gay está cada vez mais dificl, mais imoral. Estamos no século XXI, e há doze anos eudei uma entrevista para aapresentadora Ana Vila Real, e naquele dia eu disse que achava bobagem discutir o sexo dos anjos. Mas agora eu sei como eu estava errado. A gente ao longo da história de nossas vidas, podemos mudar, podemos ser transitórios, contraditorios, desde que isso tenha um saldo positivo. O que não dá é para passarmos pela vida na idiotice de nossas idéias. aqueles que ja tem 50 anos, 40 anos já sao renegados no quesito e padrão gay. Quais valores são e foram construidos na falsa base. Tambem nao há interrogação porque isso nao é. Com a cabeça no travesseiro é que devemos conversar e nos entendemos ou nos compreendemos se assim for mais fácil. Ser gay e defender-se não é olhar a bandeira do arco homo íris e achar tudo cor de rosa. a Concepção gay está mais para um cinza desbotado. parada gay! Essa parada nao pode ser anual.... tem que existir todos os dias dentro de nós. E onde estará esse orgulho ninguem sabe. Ultimamente tenho evitado o assunto, pouco tenho aparecido em redutos. A coisa cansa, e não ha descanso.

Aguinaldo silva violentado. E quantos Aguinaldos hoje somos?

No texto, Aguinaldo volta a 1957, quando estudava no Colégio Americano Batista (C.A.B), em Recife. Um dos meninos lançou a idéia de votar em Aguinaldo para rainha da primavera.

Na votação, os papéis que continham seu nome foram colocados de lado. "Até que, no final da apuração, pelo tamanho da pilha, fora eu o mais votado. Mas foi declarada vencedora a menina que teve mais votos depois de mim ".

Aguinaldo diz que foi perseguido pelos colegas de escola. "Enquanto eu gritava de pavor, eles jogavam pedras, paus, sapatos, terra, cadernos, canetas, livros, a meia porta de um dos banheiros que acabou sendo arrancada... Tudo isso numa gritaria infernal", relembra.

"Em prantos, saí do colégio e fui sentar num banco da Praça, onde fiquei a soluçar, em estado de choque. Um homem se aproximou de mim e perguntou: 'Por que choras, linda criança?' Em vez de lhe responder eu chorei ainda mais alto", diz. "Então ele me tomou pela mão e me levou para o seu quarto, numa pensão ali mesmo, na praça. Mas o que ele me deu não foi propriamente consolo".

O autor continua o relato dizendo como foi sua vida a partir daí. "Não chorava mais, porém estava ainda mais arrasado. Mas não tinha ninguém com quem pudesse conversar sobre o fato, e tinha que esconder tudo aquilo da minha família. Não podia chegar em casa e dizer: fui humilhado, espezinhado, quase linchado, violentado...".

Na escola, o caso foi abafado, afirma Aguinaldo. "Não houve qualquer comentário desairoso.
Aos poucos eu soube: o caso provocara verdadeira convulsão na direção do colégio. Pensaram até em me expulsar como medida profilática. Afinal de contas, era eu o pobre, o feio, o esquisito e o efeminado, e por isso fora culpado de tudo".

A história voltou a mente dele após passear de cruzeiro pelo Recife. "Durante 52 anos guardei essa história comigo. Por isso nunca fiz análise, pra não ter que deitar num sofá e contá-la a um estranho. Na verdade, a essa altura da minha vida eu até já a tinha esquecido".

Ele conta que aproveitou que estava na cidade para revisitar alguns locais dessa época da adolescência. "A verdade é que de vez em quando ainda desmunheco. Mas acho que isso é destino!", encerra.