... E QUANDO CHEGA O AMOR, EU VOU

Respiro outros ares.
Tenho respirado outros ares. Como me fez bem ter saido dessa cidade que não tem mais nenhuma contribuição a me dar. Estou no interior, levando uma vida pacata. Numa cidadezinha que não é de todo um encanto, mas dá pra levar uma vida sossegada. Agora me pergunto se a cidade me expulsou ou se eu a expulsei dos meus planos, dos meus projetos de vida? As duas respostas estão corretas. Não há uma terceira alternativa. Volto para Vila das Flores (a cidade fictícia de Amores Marginais). E os únicos becos que poderiam me assustar parece que não existem mais. Em uma dessas noites, em Vila das Flores, estive sentado numa mesa de bar com alguém que eu muito amei, e isto valida a minha percepção em relação ao que sou, ao que projeto ante a magia do eu existir... Mas que agora está demolido esta ou mesmo outras velhas paixões.. Venho a Fortaleza exporadicamente e nada ate então, me motivava a voltar. Eis que em uma noite ao voltar de um teatro onde ri muito de uma comédia que volta em cartaz. Deparei-me com um assalto. Quatro elementos assaltam um amigo que estava em minha companhia. Ainda me armei com pedras e protegi um rapaz que estava próximo a mim. Esse rapaz tinha e tem algo de encantador. Eu antes toquei sua mão e perguntei a idade. Ele respondeu com simpatia. Ele pareceu disposto a ser meu... assim como eu estava disposto a ser dele. Parece destoante mais o assalto nos uniu. Eu nessas situações continuo com a mesma mania terrivel que é bancar o héroi, que é solucionar a força bruta. Sim, eu sempre reajo, é como se isso fosse reflexo de um mundo respaldado diante tudo aquilo que permanece a margem. E nesses momentos surge perante a minha inquietude a certeza que é saber que não haverá espaço para dois sobreviventes. Alguem precisa vencer. E se é para perder a batalha entre mocinhos e bandidos que a conquista ou a derrota nao passe desperceptível. Eu sei que preciso lutar e luto. Eu não fujo à luta. Seja o bandido qual for. Nesse entremeio, estava o rapaz que me aquecia o mais intimo e sincero dos carinhos - a ternura. A verdade é que depois disso a gente tem se falado com frequência ao telefone, pelo msn. E a saudade nos aproxima. Ele parece ser meu. E eu fico disposto a tê-lo, a conquistá-lo na mais completa das virtudes: a inocência. Ele tem me dito coisas interessantes, coisas que a gente gosta de ouvir. E mais uma vez, eu aposto no amor. E quando eu estiver no interior, nas noites de frio que eu sentir falta de uma costela, vou saborear esse momento, e saber que a 304 kilomentros, está aquele que me dará motivos para voltar. Eu quero sentir a saudade dele, a vontade de beijá-lo e guardar esse beijo para nosso próximo encontro. Eu tenho o dobro da idade dele... mas isso nao tem impedido o afeto, a troca de olhar, a cúmplicidade que só é sentida quando há verdade. A minha sogra quer me conhecer, e a gente começa a fazer planos. Tenho constatado que quando chega o amor a palavra deferida negativamente contra momentos de dores e solidão perde a importância. E a gente se entrega para o amor assim como a redenção da brutalidade que parece nos seguir ou nos guiar as vezes. Então, penso nesse rapaz, e conscientimente eu o chamo para perto de mim. Ouço seus passos que se direcionam a minha imagem. E esta imagem saida de mim, tem a grandeza de um salto dado na existência de algo que surge e eu nao ouso dizer mais nada. Mas espero o telefone tocar e as vezes ligo para ter certeza que esse ser que chega na minha vida vai vir... e ser carinhosamente chamado de "meu moleque".


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