Caio aparece de perfil, em uma contra luz... está despido... depois mergulha no mar.
Fui sentenciado a pagar o alto preço de amores marginais. Não me odeiem, por contar nossas verdades. É assim que você me quer, é assim que você me pinta. Antes eu queria apenas uma poesia, um poema, uma declaração de amor, mas veio o inevitável – desejo de confessar. E confessei o que eu mesmo não quis acreditar. Tudo veio como idéias, idéias invadidas pelo raciocínio. Chega um instante em que nós falamos ou morremos aos poucos. Por isso sinto uma parte de mim, morta, incapaz! E mergulho nisso para reencontrar o mínimo que ficou perdido. Sempre fica alguma coisa. Há dias terríveis de silêncio eterno em que não sabemos o que fazer e toda essa tortura é inútil. E chegou o tempo d´eu sair da toca.
Assim tudo começou – inocência e desejo
Eu não sei para quê nasci, mas aqui estou. É muito brusco começar assim, mas tudo foi muito rápido. Precoce. Quando nascemos, os nossos pais fazem planos para nossas vidas. São nossos “donos” e esquecem que logo teremos vidas próprias. Quase sempre uma maioria tenta se realizar através dos filhos, construindo seus sonhos acima da formação individual de cada um.
Fui sentenciado a pagar o alto preço de amores marginais. Não me odeiem, por contar nossas verdades. É assim que você me quer, é assim que você me pinta. Antes eu queria apenas uma poesia, um poema, uma declaração de amor, mas veio o inevitável – desejo de confessar. E confessei o que eu mesmo não quis acreditar. Tudo veio como idéias, idéias invadidas pelo raciocínio. Chega um instante em que nós falamos ou morremos aos poucos. Por isso sinto uma parte de mim, morta, incapaz! E mergulho nisso para reencontrar o mínimo que ficou perdido. Sempre fica alguma coisa. Há dias terríveis de silêncio eterno em que não sabemos o que fazer e toda essa tortura é inútil. E chegou o tempo d´eu sair da toca.
Assim tudo começou – inocência e desejo
Eu não sei para quê nasci, mas aqui estou. É muito brusco começar assim, mas tudo foi muito rápido. Precoce. Quando nascemos, os nossos pais fazem planos para nossas vidas. São nossos “donos” e esquecem que logo teremos vidas próprias. Quase sempre uma maioria tenta se realizar através dos filhos, construindo seus sonhos acima da formação individual de cada um.
Eu já nasci assim. Quanto mais puxo pela memória, mais vejo o desejo antigo. Na casa da minha avó materna, a minha tia passava baton na minha boca; eu gostava e morria de medo que o meu pai soubesse. Mas ele sabia. Todo mundo sabia, menos eu. Uma vez, um rapaz que trabalhava com ele viu. Era final de tarde, no sertão. Tive medo de voltar para casa. Eu tinha quatro anos, devo ter apanhado por isso. São imagens remotas, distantes, e por isso incapazes de estarem nítidas. São acontecimentos que ninguém nunca ousou refrescar a minha memória, mas que eu guardei como sobras do que se foi. Quando criança calei, abafei o que gritava em mim, por medo do mundo, do pai, da mãe. E como é difícil chorar em silêncio! Que coisa terrível o ódio de um filho pelo pai. Só sei que o desejo é incógnito, nunca sabemos onde e nem quando aflora. Sim, eu preciso ir até o fim. Doa a quem doer.
...e assim se passaram longos anos
Àquela noite, meus pés á beira da praia, o vento também frio no meu rosto, eu louco de desejo. No coração, uma sensação estranha: saber que um dia, tudo poderia acontecer e essa preciosidade, que tanto deixei escapar, voltaria para mim. Não seria isso, depois de tantos anos, uma canção perdida? Que importância tem isso para quem acredita na ilusão? Só um nome adoçava a minha alma – Téo. Esse nome era como sopro de mágica. Pra quê voltar ao passado? Talvez agora ele diga. Eu responderia que a nossa história é o passado. O presente é só meu porque estamos distantes. Eu confesso esse sentimento. E foi duro chegar a essa conclusão de amor e susto. Não foi só coisa de criança. Tudo veio despontar mais tarde. Aqui, quando eu menos esperava. Em l987, fui passar as férias de julho em Vila das Flores. Voltei para amar o Téo, assim como não amei a mim mesmo, ou para reencontrar meus sentimentos encalhados à infância. Por uma razão ou outra, esse adolescente foi o ápice do meu delírio gay! Éramos adolescentes, mas algo muito forte havia marcado o nosso primeiro encontro. Ainda não tinha completado sete anos de idade, e fui matriculado na escola estadual. No primeiro dia, logo no primeiro olhar, foram perturbadoras as sensações quando entrei na sala de aula, vi o Téo pela primeira vez.
Eu estava hipnotizado e não tinha consciência disso. Ele estava sentado com o pedro, que me chamou para sentar com eles. Fui e não olhei nos olhos do Téo. Tudo nele me chamava atenção e de uma certa forma, me deixava intimidado. Havia um fascínio absoluto! Sem vergonhice? Logo cedo, também menino, a imagem de um homem me fascinava. Dizem que crianças não têm apetite carnal. Eu tive. O máximo que eu consigo atingir são meus quatro anos de idade, e lá eu já admirava o masculino. Quanto mais maduro o homem, mais interessante parecia. Era fantasioso, isso me excitava, mesmo nunca tendo visto um nú. Dizem também que até os sete anos todas as crianças são anjos, não têm pecados.Verdade?Não sei, mas eu sentia vergonha disso, e guardava só para mim, esse apetite ainda sem malícia. Quem sabe! Talvez, eu já despertava a minha sensibilidade para o que mais tarde fora evidente. Esse sentimento pelo Téo, sobreviveu parte da minha vida, foi íntimo de minha alma, assim como as noites solitárias que vieram com o passar dos anos. mas não me arrependo, se as circunstâncias fossem as mesmas, eu o amaria com um amor voraz. Só que de uma forma concreta. Na infância, fui afastado dele da maneira mais brusca possível, na hora do recreio, eu saí da sala de aula para brincar e não voltei. Uma semana depois fui levado para Santa Catarina. Não sei se foi a melhor coisa... e não foi. Tudo começou errado, talvez fosse importante ficar na escola e seguir o curso natural das coisas. Deixar que acontecesse o mais provável.
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